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Guerra dos drones: como funcionam os equipamentos usados por criminosos para lançar explosivos no Rio

RJ
18 de Agosto de 2026 às 06:00
5 min de leitura
Guerra dos drones: como funcionam os equipamentos usados por criminosos para lançar explosivos no Rio

Exclusivo: drones lançam bombas em áreas disputadas por facções criminosas no RJ Os drones utilizados por criminosos no Rio de Janeiro deixaram de servir apenas para monitorar rivais e passaram a ser empregados como plataformas de ataque capazes de transportar e lançar explosivos sobre comunidades em disputa. A prática, cada vez mais comum, vem transformando o céu das favelas em um novo campo de batalha entre facções. Drones com explosivos viram nova arma na disputa entre facções no Rio de Janeiro Imagens obtidas pela polícia e exibidas pelo Fantástico mostram o funcionamento desses ataques. Em uma gravação feita pelo próprio drone utilizado pelos criminosos, é possível ver o momento em que um explosivo é lançado em direção a um carro onde estariam integrantes de um grupo rival. A bomba cai até atingir o alvo, enquanto traficantes comemoram a ação. Os artefatos lançados pelas aeronaves são conhecidos como "bombas-tubo". Segundo a polícia, os criminosos utilizam tubos de PVC recheados com pólvora, parafusos e cacos de vidro, aumentando o potencial de destruição e a dispersão de estilhaços após a explosão. Para demonstrar os danos provocados pelo dispositivo, o esquadrão antibombas realizou uma detonação controlada. Os explosivos semelhantes aos usados pelos traficantes já atingiram casas, quintais, veículos e até festas comunitárias. Em um dos casos relatados na reportagem, uma residência teve parte da cozinha e de um quarto destruídas após uma bomba explodir no telhado. Os drones oferecem uma vantagem estratégica para os criminosos porque permitem observar a movimentação dos rivais do alto e atacar à distância, reduzindo o risco para quem realiza a operação. Segundo especialistas ouvidos pelo Fantástico, a tecnologia garante aos grupos criminosos uma visão privilegiada do território disputado. Em algumas investigações, a polícia conseguiu rastrear a origem dos ataques acompanhando a trajetória dos equipamentos. Nesta semana, agentes seguiram o voo de um drone que havia lançado um explosivo contra um blindado da PM. A aeronave pousou na cobertura de um imóvel alugado por temporada no Recreio dos Bandeirantes. Dois suspeitos foram presos. Segundo a polícia, o local era usado para operar drones empregados em ataques contra comunidades rivais. Rotina de medo Moradores de comunidades do Rio de Janeiro passaram a conviver com uma nova ameaça em meio à disputa territorial entre facções criminosas: ataques de drones carregados com explosivos. Dados do Disque Denúncia indicam o crescimento dessa ameaça. O primeiro registro de um drone equipado com granada ocorreu em 2023. Em 2024, houve quatro denúncias. Já em 2025, o número saltou para 73 casos envolvendo traficantes e outros 14 relacionados a milicianos que também utilizam drones para lançar explosivos. Em um dos episódios, um morador percebeu a aproximação de um drone carregando uma granada e avisou a mãe. Pouco depois, o explosivo foi lançado na rua e houve uma explosão. O medo, segundo os moradores, passou a fazer parte da rotina mesmo dentro de casa. A gente vive com muito medo mesmo dentro do nosso quintal, mesmo dentro de casa. Os explosivos também atingiram imóveis. Em uma casa, uma bomba caiu sobre o telhado, explodiu e destruiu parte da cozinha e de um quarto. Em outra comunidade, o artefato caiu sobre uma árvore no quintal e estourou uma janela. Um dos moradores conta que as explosões se tornaram frequentes e que a violência passou a atingir pessoas sem relação com a disputa entre criminosos. Ele cita a própria filha, que costuma andar de bicicleta pela região. Outro morador foi atingido por estilhaços durante um dos ataques. Ele contou que ouviu primeiro o barulho da hélice do drone e, em seguida, uma explosão. E quando falaram: Olha o drone, olha o drone, eu só ouvia esse barulho da hélice e um barulhão, um clarão e todo mundo gritando. (...) Acertou minha perna, o estilhaço acertou minha perna. Drones com explosivos viram nova arma na disputa entre facções no Rio Reprodução/TV Globo Risco também para o espaço aéreo A expansão do uso de drones com explosivos cria ainda riscos para a circulação de aeronaves. O tráfego de helicópteros é intenso no Rio, e drones que voam sem autorização ou coordenação podem cruzar rotas de aeronaves. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) informou que faz a gestão do espaço aéreo brasileiro com foco na segurança e na regularidade da navegação. Segundo o órgão, por se tratar de fatos que podem envolver investigações criminais, informações ou providências devem ser solicitadas às autoridades de segurança pública. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que a segurança nas rotas utilizadas por drones perto de aeroportos envolve articulação com a Polícia Federal e o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A Secretaria de Segurança Pública do Rio reconheceu os riscos do uso de drones por organizações criminosas e informou que o enfrentamento exige integração com o governo federal. Segundo a pasta, serão destinados drones e equipamentos antidrone para reforçar o trabalho das forças de segurança. A secretaria também criou uma divisão especializada para combater esse tipo de crime.
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